count
Latim (Latin)contar, computar, calcular
Sobre este radical
O radical count começa com o verbo latino putāre. Antes de ter qualquer coisa a ver com matemática, putāre significava “podar” — cortar os galhos bagunçados de uma videira para enxergá-la com clareza. De “pôr em ordem”, passou naturalmente a “fazer as contas”: pôr os números em ordem, acertar o que é o quê. Acrescente o prefixo com- (“junto”) e você tem computāre — somar as coisas juntas, chegar a um total.
Essa palavra chegou ao inglês por dois caminhos. O caminho erudito manteve a grafia latina e nos deu compute e computer. O caminho popular passou pelo francês antigo conter, onde computāre se desgastou até virar count — o simples ato de dizer “um, dois, três”.
A partir dessa base, a família cresce com prefixos e sufixos:
- O próprio count foi além dos números. To count on someone é “incluir alguém na conta” como pessoa confiável — ela faz parte do seu total. Dizer que algo counts é dizer que tem peso no resultado final: que importa.
- ac- (uma forma de ad-, “para”) + computāre → account: literalmente “fazer as contas com” alguém — acertar as contas com ele. A contabilidade corrente de um comerciante virou uma account (a bank account, uma conta bancária). O ato de explicar essas contas — “eis o que eu fiz com o dinheiro” — virou account no sentido de relato ou explicação. E to account for algo significa “incluí-lo na conta”, fazer tudo fechar.
- accountability leva essa ideia um passo adiante: se você precisa prestar contas dos seus atos, pode ser considerado accountable — responsável por eles. Accountability é o estado de dever uma explicação, a obrigação de prestar contas.
- dis- (“à parte, para longe”) + computāre → discount: tirar um valor do preço. Um discount é o que é subtraído da conta.
- re- (“de novo”) + computāre → recount: contar de novo (a recount of votes, uma recontagem de votos) — ou, num sentido diferente, “contar” um acontecimento em detalhes, narrar o que aconteceu.
- -less (“sem”) → countless: tantos que não dá para contar.
O fio condutor é simples: toda palavra desta família fala de fazer as contas — somar coisas, acertar os números ou prestar as contas que os números exigem. Repare que count, o título de nobreza, parece idêntico, mas é um estranho aqui: vem do latim comes, “companheiro”, um membro da comitiva do imperador. Mesma grafia, nenhum parentesco.
Para o falante de português, o atalho é ótimo: contar, conta, desconto e computador vêm todos de computāre — e o nosso contar também cobre os dois sentidos de recount, “contar números” e “narrar”. Já o título count corresponde ao nosso conde, que vem de comes.
Imagine um contador counting moedas em pilhas — essa é a família inteira. count soma as moedas (contar), account é o livro de contas que ele mantém (conta), discount é a pilha que ele tira (desconto), e, se ele não consegue terminar de contar, elas são countless. Toda palavra é alguma versão de “fazer as contas”.
Palavras principais em detalhe
As poucas palavras desta família que merecem ser contadas por inteiro — uma a uma.
countComece pelos números — “1, 2, 3” — e veja o sentido decolar.
Comece pelos números — “1, 2, 3” — e veja o sentido decolar. To *count on* someone é incluir alguém nos seus planos como pessoa confiável, contar com ela; ela é uma parcela garantida no seu total. Dizer que algo *counts* é dizer que entra no resultado final — tem peso, importa. A mesma imagem (somar a um total) move os três sentidos: enumerar, confiar, importar. O nosso *contar* faz quase o mesmo percurso (*contar com alguém*).
Ver countaccountO membro mais rico.
O membro mais rico. ac- (para) + computāre = “fazer as contas com alguém” — acertar as contas. Essas contas se firmaram no sentido financeiro (a bank account, uma conta bancária); depois, o ato de explicar as contas virou “relato / explicação” (give an account of the trip, fazer um relato da viagem). A expressão *account for* mantém a matemática original: “incluir algo na conta” para que os números — ou os fatos — fechem. Uma só palavra guarda dinheiro, narrativa e explicação, porque os três são formas de acertar as contas.
Ver accountdiscountdis- (para longe) + count (fazer as contas) = “tirar um valor da conta”.
dis- (para longe) + count (fazer as contas) = “tirar um valor da conta”. Um *discount* é literalmente a parte subtraída da conta, do preço. A mesma lógica de “subtrair do total” dá o verbo figurado *to discount* uma afirmação — rebaixá-la mentalmente, tratá-la como se tivesse menos peso do que aparenta, não levá-la muito a sério.
Ver discountaccountabilityConstruída sobre account = “uma explicação devida”.
Construída sobre account = “uma explicação devida”. Se você precisa prestar contas do que fez, você é accountable — responde por isso. accountability é o estado abstrato de dever essa explicação: o dever de assumir a responsabilidade e justificar seus atos. O livro de contas do dinheiro virou um livro de contas moral. Em português, a ideia costuma aparecer como *prestação de contas* ou *responsabilização*.
Ver accountabilityRadicais relacionados
Mesma fonte: putāre significava “calcular / podar / pôr em ordem”, e computāre (com- + putāre) é literalmente “calcular junto”. put dá dispute, reputation, compute; count é a forma desgastada, francesa, desse mesmo compute. Grafia latina mantida → put/compute; suavizada pelo francês → count.
Os dois têm a ver com números, mas numer (de numerus, “número”) fala do número em si — numeral, numerous, enumerate. count é o ato de percorrê-los e de fazer a soma. A quantidade/o algarismo → numer; o ato de contar → count.
rat (de ratus / reri, “calcular, julgar”) é o cálculo como raciocínio e proporção: rate, ratio, rational. count é o cálculo como simples contagem de quantidades. Calcular raciocinando → rat; contar somando → count.