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  3. /real

real

Latim (Latin)

real, existente; coisa

Variantes:realrealisre
Seu domínio

Sobre este radical

O radical real se apoia em uma das palavras mais básicas do latim: rēs, que significa “coisa, assunto, questão”. É o mesmo rēs que sobrevive na expressão jurídica res publica — literalmente “a coisa pública”, o assunto que pertence a todos —, que deu origem ao inglês republic. Uma rēs era qualquer coisa que existisse de fato e com a qual se pudesse lidar: um objeto, um bem, um fato, um caso diante de um juiz.

A partir de rēs, o latim tardio formou o adjetivo reālis, “relativo às coisas, que tem existência concreta”. Essa é a dobradiça de toda a família. Ser real é pertencer ao mundo das coisas — existir de fato, e não apenas na imaginação. Por isso o primeiro membro, e o mais direto, é real: que existe de verdade, autêntico, não inventado.

A partir de real, a família se ramifica em algumas direções bem claras:

- Com o sufixo de substantivo -ity (estado de) → reality: o estado de ser real, o mundo das coisas como elas realmente são. Face reality significa encarar o mundo dos fatos, e não os seus desejos.
- Com -ism (doutrina, prática) → realism: a postura de aceitar e retratar as coisas como elas realmente são — na arte, na literatura, na política (political realism) e na filosofia (a doutrina de que as coisas existem independentemente da nossa mente).
- Com o sufixo verbal -ize (tornar) → realize. Aqui a família faz algo interessante. Realize significava originalmente “tornar real” — transformar um plano ou sonho em algo concreto (realize a goal, “realizar um objetivo”; realize a profit, “obter lucro”). Mas um segundo sentido, hoje mais comum, cresceu ao lado do primeiro: tornar algo real na sua própria mente — perceber de repente que um fato é real. I realized I was wrong = o fato se tornou real para mim, “percebi que estava errado”. A mesma palavra carrega tanto “tornar real lá fora” quanto “tornar real aqui dentro”. (O inglês britânico costuma escrever realise.)

Um membro vai além do real. O francês sur- significa “sobre, acima”, então surrealism (termo criado pelo poeta Apollinaire e popularizado por pintores como Salvador Dalí) é a arte de ir acima da realidade — relógios derretendo, paisagens com lógica de sonho, imagens que obedecem às leis do inconsciente, e não às leis das coisas.

O padrão da família é constante: real é a âncora — o mundo das coisas concretas — e cada sufixo ou prefixo diz o que está sendo feito com ela. -ity dá nome ao estado, -ism dá nome a uma crença sobre ele, -ize o transforma em ação, sur- salta por cima dele.

Vem do latim tardio *reālis* (“relativo às coisas, efetivo”), do latim *rēs* (“coisa, assunto”). O radical nomeia o que existe de fato, em oposição ao que é só imaginado: real, reality (realidade), realism (realismo). To realize é literalmente “tornar real” e, por extensão, tornar algo real na mente, isto é, perceber, dar-se conta. Surrealism significa “acima / além do real” (surrealismo). Atenção: realize quase sempre é “perceber”, e não “realizar”. Em português, a mesma raiz aparece em *real* e *realidade*.
Dica de memorização

real = o mundo das coisas (latim rēs). Quando você realize algo, você torna esse fato real na sua cabeça — finalmente ele passa a existir para você. Atenção: no sentido mais comum, realize é “perceber, se dar conta”, não “realizar”. Tudo nesta família gira em torno de “o que existe de verdade”.

Palavras principais em detalhe

As poucas palavras desta família que merecem ser contadas por inteiro — uma a uma.

realizeO membro mais interessante, porque uma única palavra guarda dois sentidos.

O membro mais interessante, porque uma única palavra guarda dois sentidos. Literalmente é “tornar real” (*-ize* = tornar): você *realize a dream* ou *realize a profit* quando transforma algo em realidade concreta. Mas o sentido dominante hoje é mental — tornar um fato real *na sua mente*, ou seja, percebê-lo de repente: *I realized I'd left the door open* (“percebi que tinha deixado a porta aberta”). O mesmo mecanismo, em duas direções: tornar real no mundo lá fora ou dentro da sua cabeça. Cuidado: na maioria das frases, *realize* é “perceber, se dar conta”, e não “realizar”. No inglês britânico se escreve *realise*.

Ver realize
realityreal + *-ity* (estado de) = o estado de ser real, o mundo das coisas concretas.

real + *-ity* (estado de) = o estado de ser real, o mundo das coisas concretas. A força da palavra está nos contrastes: *reality* vs. sonho, vs. ficção, vs. expectativa, vs. virtual. *In reality* corrige discretamente uma impressão falsa (“na verdade”); *face reality* manda alguém parar de sonhar acordado. Termos modernos mantêm o contraste vivo — *virtual reality* (um mundo fabricado que parece real) e *reality TV* (sem roteiro, com pessoas supostamente “reais”).

Ver reality
realismreal + *-ism* (doutrina/prática) nomeia toda uma postura diante do mundo: aceitar as coisas como elas realmente são.

real + *-ism* (doutrina/prática) nomeia toda uma postura diante do mundo: aceitar as coisas como elas realmente são. A palavra se divide entre áreas — na arte e na literatura, *realism* é retratar a vida comum sem idealizá-la (*gritty realism*, *social realism*); na política, *political realism* é agir com base em poder e interesse, e não em ideais; na filosofia, *realism* é a doutrina de que o mundo existe independentemente da nossa percepção. Um radical, várias disciplinas, o mesmo instinto: não fingir.

Ver realism
surrealism*sur-* (francês, “acima/além”) + *realism* = arte que vai acima e além da realidade.

*sur-* (francês, “acima/além”) + *realism* = arte que vai acima e além da realidade. O termo foi criado pelo poeta Apollinaire, o movimento foi liderado por André Breton e ficou famoso com os relógios derretidos e as paisagens oníricas de Salvador Dalí. A ideia não é negar a realidade, e sim superá-la — pintar a lógica dos sonhos e do inconsciente como se fosse mais real que o mundo visível. Em português: *surrealismo*.

Ver surrealism

Radicais relacionados

verSemelhante

Os dois tocam na ideia de “verdade/autenticidade”, mas por ângulos diferentes. *real* (*rēs*) trata da existência concreta — essa coisa existe de fato? *ver* (latim *vērus*) trata de verdade e correção — *verify*, *verdict*, *veracity*. Teste rápido: “existe vs. imaginado” → *real*; “afirmação verdadeira vs. falsa” → *ver*.

essSemelhante

*ess/ent* (do latim *esse*, “ser”) é o radical da existência e do ser: *essence*, *present*, *entity*. Enquanto *real* pergunta “é uma coisa concreta?”, *ess/ent* aponta para o simples fato de ser. Os dois se cruzam na filosofia (*reality* vs. *essence*), mas *real* é mais concreto e cotidiano.

factCognato

*fact* (latim *factum*, “coisa feita”) tem um sentido próximo: um *fact* é algo que realmente aconteceu ou que realmente é assim. *Reality* e *facts* descrevem “o que é”, mas *real* enfatiza a existência (está ali), enquanto *fact* enfatiza o que está estabelecido como verdadeiro.

Palavras associadas · 9

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really

realmente; muito

real

real, verdadeiro

realize

perceber, dar-se conta; realizar

reality

realidade

realistic

realista

realization

percepção, constatação; realização

realism

realismo

surrealism

surrealismo

realise

perceber; realizar; converter em dinheiro