peri
Latim (Latin)tentar, testar; risco
Sobre este radical
Quase todas as palavras desta família escondem o mesmo pequeno verbo latino: experīrī, “experimentar, pôr à prova”. Ele é formado por per- (um antigo intensificador, “através, a fundo”) mais uma raiz que significa “tentar” — a mesmíssima raiz que dá o grego peira, “uma tentativa, uma prova”. A família inteira é uma história sobre o que acontece quando você tenta as coisas.
Comece pelo membro mais cotidiano. Junte o prefixo ex- (“para fora”) a experīrī e você “experimenta algo até o fim”. O que sobra depois? O conhecimento que a tentativa produziu — a sua experience. Experience é literalmente “o que você experimentou e guardou”. Por isso dizemos que o conhecimento se ganha com a experiência: a própria palavra registra o ato de testar a realidade e sair dele mais sábio. Daí vêm o adjetivo experienced (“alguém que já tentou muita coisa”, experiente) e seu oposto inexperienced.
Formalize a tentativa e você tem experiment — uma prova deliberada e repetível. Uma cientista não apenas vive a experiência do mundo; ela monta uma tentativa controlada, um experimento, para ver o que acontece. Daí experimental (“ainda na fase de testes, não definitivo”) e experimentation (“o processo contínuo de testar”).
Agora pegue o particípio de experīrī, expertus, “aquele que foi posto à prova, que tentou uma e outra vez” (o latim tinha também o adjetivo aparentado perītus, “experiente, hábil”). Daí vem o inglês expert: uma pessoa tão testada que a fase de tentativa acabou — ela simplesmente sabe. Expertise é o conhecimento testado e comprovado que essa pessoa tem; quem nunca foi posto à prova é inexpert. (Em português, perītus deu perito, e expertus deu experto.)
O ramo mais sombrio vem de perīculum: “uma prova” no sentido ameaçador — o risco que você corre ao se pôr à prova. Essa palavra deslizou pelo francês antigo até o inglês como peril, simplesmente “perigo”. Algo cheio desse risco é perilous, e imperil é empurrar alguém para ele. A ligação é intuitiva depois que você a vê: toda prova traz a chance de fracasso, e uma chance de fracasso séria o bastante é simplesmente perigo. (Em português, perīculum deu justamente perigo.)
A maior surpresa fica na borda da família — e vem do grego, não do latim. O grego peira (“tentativa”) produziu peiratēs, “aquele que tenta, que testa a sorte” — especificamente atacando navios. Essa palavra virou o latim pirata e depois o inglês pirate. Um pirata é, pela etimologia, apenas “alguém que tenta”, um aventureiro que testa a sorte saqueando. O “software pirate” moderno, que copia o que não é dele, mantém o velho sabor de alguém fazendo uma tentativa não autorizada.
Assim, o padrão de toda a família é uma única verdade humana: tentar ensina (experience, experiment), com o tempo torna você mestre num ofício (expert, expertise), mas sempre traz perigo (peril, perilous) — e os que mais ousaram tentar saíram pelo mar como piratas.
Imagine tentar algo arriscado: você sai com experience, depois de muitas tentativas vira um expert, mas toda tentativa traz peril. A família inteira fala de aprender do jeito difícil — tentando. Em português, experiência, perito e perigo vêm da mesma raiz. (E o pirate? Só o mais ousado dos que tentam, do grego peira, “tentativa”.)
Palavras principais em detalhe
As poucas palavras desta família que merecem ser contadas por inteiro — uma a uma.
experienceex- (“para fora”) + experīrī (“tentar”) = literalmente “o que você experimentou até o fim”.
ex- (“para fora”) + experīrī (“tentar”) = literalmente “o que você experimentou até o fim”. Experience é o conhecimento que sobrevive à prova da prática — não dá para chegar a ela só lendo, só tentando. Por isso ela se divide claramente em dois sentidos em inglês: o contável “an experience” (uma única coisa pela qual você passou, uma experiência) e o incontável “experience” (a sabedoria acumulada que todas essas tentativas deixaram, a experiência de vida ou profissional). Atenção: para “experimento científico”, o inglês usa experiment, não experience.
Ver experienceexpertDe expertus, particípio de experīrī, “aquele que foi posto à prova”.
De expertus, particípio de experīrī, “aquele que foi posto à prova”. A imagem é exata: um expert não é alguém que estudou muito, mas alguém que foi testado pela realidade várias vezes até a fase de tentativa acabar. É por isso que confiamos na opinião de um especialista — ela já sobreviveu às provas que um iniciante ainda enfrenta. O adjetivo aparentado perītus aparece, mais escondido, na palavra obsoleta “perite” — e em português, em *perito*. Expertise, por sua vez, vem do próprio expert.
Ver expertperilDe perīculum, “uma prova” — mas o tipo de prova que você preferiria evitar.
De perīculum, “uma prova” — mas o tipo de prova que você preferiria evitar. A lógica: sempre que você se põe à prova, corre o risco de falhar, e um risco sério é simplesmente perigo. Assim, peril preserva o lado sombrio de toda a família: tentar ensina (experience), mas tentar também pode machucar (peril). Repare que “at your peril” (por sua conta e risco) e “in peril” (em perigo) soam formais/literárias hoje. Em português, perīculum virou *perigo*.
Ver perilpirateO estranho da família, e o único membro que veio pelo grego.
O estranho da família, e o único membro que veio pelo grego. O grego peira (“tentativa”) → peiratēs, “aquele que testa a sorte” — atacando navios. Um pirata é, pela etimologia, só “um aventureiro que arrisca”. O “software pirate” moderno, que copia obras protegidas, mantém exatamente o sabor original: alguém fazendo uma tentativa não autorizada sobre o que não é dele.
Ver pirateRadicais relacionados
test (do latim testis, “testemunha”, via testum, “vaso de barro” usado para ensaiar metais) também significa “provar/pôr à prova” e se sobrepõe a peri em experiment e expertise. Divisão rápida: peri trata de tentar por meio da experiência vivida (você passa por aquilo); test trata de uma verificação deliberada para confirmar ou refutar. Um expert foi testado pela vida (peri); uma hipótese é testada em laboratório (test).
prob (do latim probāre, “testar, provar”) é o sinônimo mais próximo: probe, prove, probation significam todos “pôr à prova”. peri e prob se resumem a tentar para verificar. A diferença: prob mira um veredito (provado / refutado, aprovado / em período de experiência); peri enfatiza o próprio tentar e a experiência ou o risco que ele gera.
Palavras associadas · 23
experience
experiência; vivência; vivenciar, passar por
expert
especialista; experiente, perito
experiment
experimento; experimentar
experimental
experimental
expertise
conhecimento especializado, expertise
pirate
pirata; piratear
peril
perigo; pôr em perigo
experimentation
experimentação
experimenter
experimentador, pesquisador
perilous
perigoso, arriscado
experiential
experiencial, vivencial
expertly
com perícia, com maestria
experimentally
experimentalmente
inexperience
inexperiência
imperil
pôr em perigo, ameaçar
perilously
perigosamente
experiencer
quem vivencia; experienciador (linguística)
inexpert
inexperiente, amador
inexpertly
de forma amadora
experienced
experiente
inexperienced
inexperiente
experience-based
baseado na experiência
less-experienced
menos experiente